Enxaqueca
A enxaqueca é uma doença neurológica caracterizada por crises recorrentes de dor, frequentemente acompanhadas por náuseas, sensibilidade à luz, aos sons e, em alguns casos, aura.
Área de atuação
Dores de cabeça frequentes podem comprometer significativamente a qualidade de vida. É comum que pacientes reduzam atividades profissionais, familiares e sociais, adiem compromissos ou passem a utilizar analgésicos com frequência crescente na tentativa de controlar as crises.
Muitos convivem com esse problema durante anos antes de receber um diagnóstico preciso e um tratamento direcionado ao tipo específico de cefaleia.
O diagnóstico das cefaleias baseia-se principalmente na história clínica. Durante a consulta são analisados o padrão das crises, sintomas associados, fatores desencadeantes, impacto funcional, tratamentos já realizados e possíveis sinais de alerta que indiquem a necessidade de investigação complementar.
Agendar consultaEntre os mais de duzentos diagnósticos descritos, alguns grupos são particularmente frequentes na prática clínica.
Classificação Internacional das Cefaleias (ICHD-3)A enxaqueca é uma doença neurológica caracterizada por crises recorrentes de dor, frequentemente acompanhadas por náuseas, sensibilidade à luz, aos sons e, em alguns casos, aura.
Caracteriza-se por sensação de pressão ou aperto, geralmente bilateral, frequentemente associada a estresse, privação de sono ou tensão muscular.
Forma menos comum, porém extremamente intensa, caracterizada por crises curtas de dor ao redor de um dos olhos, frequentemente acompanhadas de sintomas autonômicos.
Em algumas situações, a dor de cabeça pode representar manifestação de outras condições médicas e exigir investigação complementar.
Nem toda dor de cabeça exige avaliação neurológica. Entretanto, algumas situações justificam investigação especializada para esclarecer o diagnóstico ou redefinir o tratamento.
PONTOS DE ATENÇÃO
Referência Bibliográfica: Wijeratne T et al. Secondary headaches - red and green flags and their significance for diagnostics. eNeurologicalSci. 2023;32:100473.
A maior parte das cefaleias pode ser diagnosticada por uma história clínica detalhada e um exame neurológico criterioso. O objetivo da avaliação é identificar o tipo específico de cefaleia, reconhecer fatores desencadeantes e excluir sinais de alerta que indiquem investigação complementar.
Cada paciente apresenta um padrão diferente de crises, impacto funcional, comorbidades e objetivos terapêuticos. Por isso, a estratégia de tratamento é construída de forma personalizada, utilizando desde medidas comportamentais até terapias específicas quando indicadas.
As decisões diagnósticas e terapêuticas são fundamentadas nas melhores evidências científicas disponíveis, incluindo diretrizes internacionais e atualização médica contínua.
O acompanhamento faz parte do tratamento e é tão importante quanto a primeira consulta. A evolução das crises, a resposta às medidas adotadas e os ajustes ao longo do tempo permitem manter o controle e a qualidade de vida.
O tratamento da cefaleia deve ser individualizado e depende do diagnóstico específico, da frequência das crises, do impacto na rotina, das comorbidades e dos objetivos de cada paciente.
Nos últimos anos, avanços no conhecimento da fisiopatologia da enxaqueca permitiram o desenvolvimento de terapias direcionadas aos mecanismos da doença, ampliando as opções de tratamento disponíveis. O objetivo é reduzir a frequência das crises, minimizar seu impacto funcional e melhorar a qualidade de vida.
As estratégias terapêuticas são definidas de acordo com as características de cada paciente e podem incluir uma ou mais das seguintes abordagens:
Os anticorpos monoclonais direcionados ao CGRP representam uma das principais inovações no tratamento preventivo da enxaqueca nas últimas décadas.
Com o acúmulo de evidências de eficácia e segurança em estudos clínicos e na prática diária, passaram a ser recomendados por importantes sociedades internacionais como opção de primeira linha para pacientes com indicação de tratamento preventivo.
Em pacientes selecionados, o bloqueio anestésico pode integrar o tratamento das cefaleias.
O procedimento é realizado em consultório, com aplicação de anestésico local em pontos específicos da cabeça e do pescoço, podendo ser indicado durante períodos de exacerbação das crises ou como terapia complementar.
Não existe um único tratamento ideal para todos os pacientes.
A definição da estratégia terapêutica considera fatores como a frequência e a intensidade das crises, tratamentos prévios, doenças associadas, possíveis efeitos adversos, via de administração, frequência das doses e as preferências individuais de cada paciente.
O objetivo é selecionar, de forma compartilhada, a abordagem que ofereça o melhor equilíbrio entre eficácia, segurança, praticidade e qualidade de vida.

ATENDIMENTO EM NEUROLOGIA
A avaliação neurológica busca compreender o padrão das crises, identificar fatores associados e diferenciar cefaleias primárias de condições que exigem investigação complementar.
O objetivo é estabelecer um diagnóstico preciso e construir uma estratégia terapêutica individualizada, fundamentada nas melhores evidências científicas disponíveis.