Área de atuação

Cefaleias e Enxaqueca

Dores de cabeça frequentes podem comprometer significativamente a qualidade de vida. É comum que pacientes reduzam atividades profissionais, familiares e sociais, adiem compromissos ou passem a utilizar analgésicos com frequência crescente na tentativa de controlar as crises.

Muitos convivem com esse problema durante anos antes de receber um diagnóstico preciso e um tratamento direcionado ao tipo específico de cefaleia.

O diagnóstico das cefaleias baseia-se principalmente na história clínica. Durante a consulta são analisados o padrão das crises, sintomas associados, fatores desencadeantes, impacto funcional, tratamentos já realizados e possíveis sinais de alerta que indiquem a necessidade de investigação complementar.

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Principais tipos de cefaleia

Entre os mais de duzentos diagnósticos descritos, alguns grupos são particularmente frequentes na prática clínica.

Símbolo da International Classification of Headache Disorders (ICHD-3)Classificação Internacional das Cefaleias (ICHD-3)
International Headache Society

Enxaqueca

A enxaqueca é uma doença neurológica caracterizada por crises recorrentes de dor, frequentemente acompanhadas por náuseas, sensibilidade à luz, aos sons e, em alguns casos, aura.

Cefaleia tensional

Caracteriza-se por sensação de pressão ou aperto, geralmente bilateral, frequentemente associada a estresse, privação de sono ou tensão muscular.

Cefaleia em salvas

Forma menos comum, porém extremamente intensa, caracterizada por crises curtas de dor ao redor de um dos olhos, frequentemente acompanhadas de sintomas autonômicos.

Cefaleias secundárias

Em algumas situações, a dor de cabeça pode representar manifestação de outras condições médicas e exigir investigação complementar.

Quando procurar avaliação neurológica?

Nem toda dor de cabeça exige avaliação neurológica. Entretanto, algumas situações justificam investigação especializada para esclarecer o diagnóstico ou redefinir o tratamento.

  • Dor de cabeça frequente
  • Piora progressiva das crises
  • Necessidade recorrente de analgésicos
  • Falha de tratamentos prévios
  • Impacto profissional ou pessoal
  • Dúvidas diagnósticas

PONTOS DE ATENÇÃO

Sinais de alerta

Como a dor começou?

  • Dor de cabeça de início súbito e intensidade máxima em segundos ou minutos.
  • Primeira dor de cabeça importante após os 50 anos.
  • Mudança recente e significativa do padrão habitual das crises.
  • Cefaleia progressivamente mais frequente ou intensa.

Há outros sintomas?

  • Febre ou sintomas sistêmicos.
  • Alteração do estado mental.
  • Perda de força ou sensibilidade.
  • Crise epiléptica.
  • Alterações visuais persistentes.
  • Papiledema previamente identificado.

Existe alguma condição especial?

  • Gestação ou puerpério.
  • Cefaleia desencadeada por esforço, tosse ou espirro.
  • Dor de cabeça após traumatismo craniano.
  • Presença de câncer ou imunossupressão.
  • Dor ocular intensa associada a sintomas autonômicos.

Referência Bibliográfica: Wijeratne T et al. Secondary headaches - red and green flags and their significance for diagnostics. eNeurologicalSci. 2023;32:100473.

Minha abordagem

Diagnóstico preciso

A maior parte das cefaleias pode ser diagnosticada por uma história clínica detalhada e um exame neurológico criterioso. O objetivo da avaliação é identificar o tipo específico de cefaleia, reconhecer fatores desencadeantes e excluir sinais de alerta que indiquem investigação complementar.

Tratamento individualizado

Cada paciente apresenta um padrão diferente de crises, impacto funcional, comorbidades e objetivos terapêuticos. Por isso, a estratégia de tratamento é construída de forma personalizada, utilizando desde medidas comportamentais até terapias específicas quando indicadas.

Medicina baseada em evidências

As decisões diagnósticas e terapêuticas são fundamentadas nas melhores evidências científicas disponíveis, incluindo diretrizes internacionais e atualização médica contínua.

Acompanhamento longitudinal

O acompanhamento faz parte do tratamento e é tão importante quanto a primeira consulta. A evolução das crises, a resposta às medidas adotadas e os ajustes ao longo do tempo permitem manter o controle e a qualidade de vida.

Tratamento

O tratamento da cefaleia deve ser individualizado e depende do diagnóstico específico, da frequência das crises, do impacto na rotina, das comorbidades e dos objetivos de cada paciente.

Nos últimos anos, avanços no conhecimento da fisiopatologia da enxaqueca permitiram o desenvolvimento de terapias direcionadas aos mecanismos da doença, ampliando as opções de tratamento disponíveis. O objetivo é reduzir a frequência das crises, minimizar seu impacto funcional e melhorar a qualidade de vida.

Estratégias terapêuticas

As estratégias terapêuticas são definidas de acordo com as características de cada paciente e podem incluir uma ou mais das seguintes abordagens:

  • Medicações para controle das crises
  • Tratamentos preventivos tradicionais
  • Anticorpos monoclonais anti-CGRP
  • Gepantes
  • Toxina botulínica
  • Bloqueio anestésico de nervos periféricos

Anticorpos monoclonais anti-CGRP

Os anticorpos monoclonais direcionados ao CGRP representam uma das principais inovações no tratamento preventivo da enxaqueca nas últimas décadas.

Com o acúmulo de evidências de eficácia e segurança em estudos clínicos e na prática diária, passaram a ser recomendados por importantes sociedades internacionais como opção de primeira linha para pacientes com indicação de tratamento preventivo.

Bloqueio anestésico de nervos periféricos

Em pacientes selecionados, o bloqueio anestésico pode integrar o tratamento das cefaleias.

O procedimento é realizado em consultório, com aplicação de anestésico local em pontos específicos da cabeça e do pescoço, podendo ser indicado durante períodos de exacerbação das crises ou como terapia complementar.

O tratamento é uma decisão compartilhada

Não existe um único tratamento ideal para todos os pacientes.

A definição da estratégia terapêutica considera fatores como a frequência e a intensidade das crises, tratamentos prévios, doenças associadas, possíveis efeitos adversos, via de administração, frequência das doses e as preferências individuais de cada paciente.

O objetivo é selecionar, de forma compartilhada, a abordagem que ofereça o melhor equilíbrio entre eficácia, segurança, praticidade e qualidade de vida.

Perguntas frequentes

Diagnóstico

Tratamento

Enxaqueca

Consulta

Dr. Bruno Lucci, neurologista

ATENDIMENTO EM NEUROLOGIA

Investigação diagnóstica das cefaleias

A avaliação neurológica busca compreender o padrão das crises, identificar fatores associados e diferenciar cefaleias primárias de condições que exigem investigação complementar.

O objetivo é estabelecer um diagnóstico preciso e construir uma estratégia terapêutica individualizada, fundamentada nas melhores evidências científicas disponíveis.